o Grande Estuário

Ideia original (2005): António Cerveira Pinto
Desenvolvimento: António Cerveira Pinto, Carlos Sant'Ana, Daniela Lopes, Inês Melo, Mónica Garcia, Nuno Almeida, Ricardo Sousa.

Lisboa e Vale do Tejo

Lisboa 2030: a cidade dos grandes estuários

Hipótese

  1. vamos gastar mais combustíveis fósseis no futuro imediato antes de os consumos globais começaram inexoravelmente a decair;
  2. vai haver uma transição tumultuosa das actuais energias carbónicas para sistemas energéticos renováveis e nucleares de terceira geração;
  3. durante tal transição boa parte dos subúrbios poderá colapsar, originando o repovoamento e aumento de densidade demográfica das velhas cidades.

Entretanto, que poderemos fazer?

O Grande Estuário propõe uma plataforma de investigação, desenvolvimento de ideias e disseminação de resultados assente em quatro núcleos de trabalho:

  1. o Obs(ervatório)
  2. os simulador de futuros (SdF)
  3. os Núcleo de Exploração Urbana e Suburbana - neXus
  4. o Banco de Horas (BdH)

Objectivo

O objectivo principal deste projecto é insistir na sensibilização das pessoas, das empresas e das instâncias políticas e administrativas para os problemas suscitados pelo impacto da mudança dos paradigmas energético, climático e social (este, por via dos efeitos da tecnologia sobre o emprego), dando especial relevância à discussão de uma possível candidatura aos Jogos Olímpicos de 2020, como forma de discutir o futuro da velha e bela região dos dois estuários: Tejo e Setúbal.

Problemática

Portugal tem hoje 10.707.000 de habitantes. 80% desta população reside ao longo da faixa litoral. A correspondente taxa anual de crescimento é da ordem dos 0,5% (0,1% de crescimento natural e 0,4% de crescimento migratório). As previsões demográficas da ONU (revistas em 2009) apontam para 10.787.000 em 2015; 10.706.000 em 2025 (ou seja, menos 1000 habitantes do que em 2009) e 10.015.000 em 2050 — quer dizer, menos 692 mil habitantes do que em 2009!

As cidades de Lisboa e Porto perderam, entre 1991 e 2001, mais de 130 mil habitantes para as respectivas periferias. O concelho de Lisboa, por si só, perdeu mais de 240 mil residentes entre 1981 e 2001. Mas a concentração populacional e urbana na Região de Lisboa e Vale do Tejo (3.467.483 de pessoas em 2001), e mais especificamente da Grande Área Metropolitana de Lisboa (2.661.850 de pessoas em 2001), continua a dar-se de forma contínua, com especial incidência nos concelhos de Sintra, Amadora, Loures, Almada, Seixal e Setúbal. Quem percorre as periferias das duas maiores cidades portuguesas apercebe-se dos impressionantes ritmos de sub-urbanização que desde há três décadas têm descaracterizado estas zonas.

No caso da Grande Área Metropolitana de Lisboa, a par da má qualidade urbanística e arquitectónica do património edificado, aumentou dramaticamente o volume e intensidade dos movimentos pendulares periferia-centro-periferia e abrandou a velocidade de circulação automóvel entre localidades, diminuindo assim o tempo pós-laboral disponível e aumentando as despesas com os transportes, nomeadamente as implicadas na aquisição e uso do automóvel.

A dispersão suburbana actual (com as respectivas cidades e aldeias dormitório) é uma paisagem cuja origem pode ser localizada numa conjuntura e num tempo muito precisos: nos Estados Unidos depois da 2ª Guerra Mundial. Gasolina barata, crédito democrático para comprar casas e automóveis, dezenas de milhar de quilómetros de estradas e auto-estradas, cinemas "drive-in", "supermarkets", "shopping malls" e "theme parks"; em suma, tudo isto e o sonho americano de uma casinha independente, com relvado e churrasqueira à porta. O mesmo sonho, recauchutado, mas ainda assim encantador — apartamento e lareira, automóvel e 'shopping' —, chegou até nós nos meados da década de 1970 e durou praticamente até ao dealbar do século 21.

Entretanto, depois dos atentados de 11 de Setembro e da última guerra contra o Iraque, as coisas começaram a mudar. Em 1998 o petróleo custava 12 USD o barril, em 2003 custava 25 dólares, em Outubro de 2006 andava pelos 60 USD, a 1 de Agosto de 2007 chegou aos 78,77 USD, e em Julho de 2008, sob pressão de uma tremenda especulação bolsista, chegaria aos 147,30 USD. Apesar das previsões de um aumento médio dos preços do crude na ordem dos 31% ao ano, a verdade é que o barril de petróleo viu multiplicar por 12 o respectivo preço no espaço de uma década (1998 e 2008). A correcção entretanto verificada (~50 USD, em Abril de 2009), é sobretudo consequência da recessão mundial provocada pelo colapso dos mercados de derivados, na sequência do fim do boom imobiliário internacional.

O efeito conjugado da especulação imobiliária, do desemprego, da subida generalizada do custo de vida e de uma maior pressão fiscal, obrigará cada um de nós a fazer melhor as contas domésticas e a eleger com mais cuidado as prioridades de investimento. Se o barril de petróleo chegar aos 400 dólares em 2018 (não nos esqueçamos que o preço do barril multiplicou por 12 na década que vai de 1998 a 2008), e o litro de gasolina sem chumbo 95 não custar menos de 2,6 euros, os centros urbanos e todas as principais interfaces de transportes urbanos e suburbanos serão muito mais atractivos do que já hoje são. A especulação imobiliária nos centros urbanos aumentará ainda mais, assim como a actividade de construção nas zonas bem servidas por interfaces multimodais de transportes. Se não houver até lá nem visão estratégica nem planeamento adequados por parte dos poderes municipais e autoridades metropolitanas, os subúrbios poderão colapsar.

Primeiras conclusões

É necessário reformular os actuais sistemas de mobilidade urbana e suburbana:

— aeroporto: hipótese1: reconversão da Base Aérea Militar do Montijo em articulação com os actuais aeroportos da Portela e de Tires; hipótese 2: Novo Aeroporto de Lisboa em Alcochete.

— construção de duas novas pontes? (Chelas-Barreiro* e Belém-Trafaria**);

— introdução de novos sistemas de transportes (Maglev, "Tram-Train", táxis fluviais, etc.)

— expansão das redes de Metro de superfície e dos corredores BUS (estendendo-os para fora do perímetro urbano da cidade);

— criação de novas interfaces intermodais aproveitando os nós das grande vias de penetração e circunvalação da cidade de Lisboa.

Uma visão estratégica para a Grande Lisboa passa pela resolução de um problema chamado Lisboa, ou melhor dito, centro de Lisboa.

Envelhecido, atrofiado e incapaz de oferecer alternativas credíveis às novas tensões urbanísticas, este centro precisa de crescer (como tal, i.e como centro) e transformar-se no verdadeiro modelo de requalificação da grande urbe.

Crescer para Sul é a nossa proposta: a zona ribeirinha entre a Almada e Alcochete, hoje em processo de suburbanização acelerada, deverá ser o alvo principal de uma operação metropolitana estratégica e de grande envergadura.

A Grande Lisboa deverá apostar numa estratégia de desenvolvimento assente em quatro grandes eixos:

Eixo A: Criação de Parques de Energias Renováveis, tendo em vista diminuir drasticamente a nossa dependência energética, nomeadamente dos combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão)***;

Eixo B: Generalização da Agricultura Biológica na Região de Lisboa e Vale do Tejo (com a consequente interdição das tecnologias químicas sintéticas e transgénicas);

Eixo C: Recondicionamento das actividades industriais com duas prioridades à cabeça:

— actividades relacionadas ou co-relacionadas com o mar e o rio

— actividades relacionadas ou co-relacionadas com as novas indústrias energéticas.

Eixo D: Desenvolvimento de uma estratégia ambiciosa de "turismo inteligente" (smart tourism)

Jogos Olímpicos

Durante os próximos tempos procuraremos insistir na sensibilização cívica para os problemas suscitados pel'o Grande Estuário, dando especial relevância à discussão de uma possível candidatura ao Jogos Olímpicos de 2020, como forma de discutir o futuro desta velha e bela região.


* — Objecções ao custo desta solução (nomeadamente devido à profundidade do rio no eixo previsível de implantação dos pilares) aconselham uma alternativa diferente: fazer uma nova ponte paralela à ponte Vasco da Gama, exclusivamente destinada à ferrovia (Alta Velocidade, Velocidade Elevada e extensção do Metro). Ver as investigações de Rui Rodrigues a este respeito e em particular "Como é que o governo vai descalçar esta Ota?" (PDF 1,3Mb)

** — A ponte Belém-Trafaria, que permitira fechar a Circular Regional Interior de Lisboa (CRIL), é uma mera hipótese de trabalho que a estagnação demográfica, a crise económica persistente, a crise energética e a crise climática poderão tornar rapidamente obsoleta. [04/11(2006]

*** — Portugal e Espanha, i.e. a península ibérica, têm condições para uma substituição integral das energias fósseis (que induzem uma dependência energética na ordem dos 86%) até 2050. Basta para isso lançar uma OPA VERDE aos oligopólios que actualmente controlam a situação energética em ambos os países. [14/11/2006]


Uma visão ainda mais ampla

A grande cidade-região de Lisboa, segundo Florida

27 Outubro 2008, actualizado em 13-01-2009 e 08-04-2009

Esta sinopse destina-se a ampliar a escala da visão estratégica da proposta "o Grande Estuário".

Hipótese: a globalização vai sofrer um retrocesso

A refundação das regras da globalização potenciará provavelmente um maior isolamento dos continentes e uma maior densidade dos contactos e das trocas intra-continentais e inter-regionais.

A noção de cidade-região (Richard Florida) ajuda a construir uma nova visão do eixo Setúbal-Corunha.

Vejo claramente, como viu Richard Florida, que Lisboa é o ponto nodal de uma linha urbana, económica e cultural de alto valor entre A Corunha e Setúbal. As ligações Lisboa-Madrid (por Badajoz, Cáceres e Merida), e Porto-Salamanca, tal como as ligações marítimas e aéreas entre o eixo atlântico e o resto do mundo, funcionam como os corredores de entrada e saída da grande cidade-região de Lisboa.

Sinopse

Conceitos-base

  • a importância dos rios e dos estuários
  • pontes económicas e culturais ao longo da linha marítima entre Setúbal e A Corunha
  • novas estratégias energéticas: sol, vento, rios, mar
  • transportes e mobilidade (renovação, intermodalidade, redes de mar, terra e ar)
  • analítica do Rendimento Económico à escala regional
  • metamorfoses urbanas
  • utopias pós-consumistas

Modus Operandi

  • criação da Liga de Cidades Atlânticas


VERSÃO ORIGINAL: 1 Maio 2005; ÚLTIMA ACTUALIZAÇÃO DO PROJECTO OGE: 8 Abril 2009.

Entrada

oGE - plano de acção
Obs(ervatório)
SdF - simulador de futuros
neXus - explorar a cidade
Banco de Horas
Agenda 2008
Referências


IMAGENS DO PROJECTO oGE


oGEBLOG

Blog de o Grande Estuário

Um blog atento aos principais alertas da presente emergência ecológica global (EEG).


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